O Globo Interview

Dupla Kings of Covenience pergunta: 'Como é esse MAM de vocês?'. Eles tocam dia 23

Ronald Villardo - Globo Online

RIO - O que fazem dois amigos de escola que gostam de tocar guitarra? Formam uma banda, ora batatas. Foi assim com os noruegueses Erland Oye (o de óculos) e Eirik Glambek e mais dois amigos, na cidade de Bergen, na Noruega, lá no início dos anos 90.
A banda era a Skog, com letras em Norueguês. Não foi muito longe. Anos depois, Oye e Glambek decidiram montar uma dupla. Adotaram o nome Kings of Convenience e estrearam em 2001 com o álbum 'Quiet is the new loud', pelo selo francês Source. Amealharam fãs com a melodia suave das guitarras acústicas e as letras que narram histórias de amores e amizades em um clima quase ingênuo, adolescente. Não demorou para que se tornassem item obrigatório entre amantes da música suave. A dupla é uma das atrações do Tim Festival e se apresenta dia 23 de outubro no palco Tim Club, no Museu de Arte Moderna do Rio. Mas será que norueguês sabe onde fica o Rio?

- A maior parte das pessoas acha que no Brasil as pessoas ficam dançando samba nas ruas - diz Eirik, do Bergen, por telefone, em entrevista ao Globo Online. E prossegue - Mas eu sei bem das desiguldades sociais que o Brasil enfrenta e quero ver isso de perto - conclui o músico que fez parte de uma ONG norueguesa especializada em angariar fundos para instituições que ajudam crianças de rua... do Brasil.

O COMEÇO, A MODA

O álbum 'Quiet is the new loud' é um desfile de baladas que lembram, não por acaso, a nossa bossa-nova. A dupla é fã incondicional de Tom Jobim, a quem Eirik atribui o adjetivo 'maravilhoso'.

- Tem gente que rotulou nosso estilo como 'bossa-nuéca' (palavra que Eirik deve achar que representa a mistura entre bossa-nova e Noruega).

A dupla ainda não é muito conhecida no Brasil, mas já virou assunto também entre os fashionistas. Do mundo todo. Tanto que já participou até de um editorial de moda para a 'Vogue' italiana. Trechos de faixas do KoC também apareceram
em dezenas de trilhas sonoras de desfiles da São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio, nas temporadas de 2002 e 2003. Esse interesse fashion intriga Eirik.

- Tenho duas teses sobre isso. A primeira: as pessoas da moda têm bom gosto e nosso som é bom. A outra: nós viramos uma modinha e tem gente que gosta da gente pelos motivos errados - cutuca.

OS FÃS NO BRASIL

O tal do som calminho do KoC também tem atraído outro tipo de fã. Aquele que adora o grupo inglês Belle & Sebastian, que causou frisson na última edição do Free Jazz, em 2003. Por isso mesmo é bom o ouvinte se preparar para o que vai encontrar durante a apresentação do KoC. Pode ser que role aquele efeito 'Belle & Sebastian' mais uma vez, que consiste em hordas de fãs histéricos gritando e cantando todas as letras das músicas, que sequer tocam no rádio. A comunidade brasileira da dupla no Orkut, por exemplo, já está em polvorosa. Lá é possível acompanhar a organização de caravanas provenientes até do nordeste para conferir a apresentação ao vivo.

- Conheci a banda por meio do DJ Eduardo Mulder, que me mostrou 'Quiet...' há dois anos. Adorei, é meio Simon & Garfunkel, calminho, desde então tenho tudo deles - diz o webdesiner Diogo Werner, 23, que também é fã adivinha de que banda? Belle & Sebastian, claro.

A estudante Raquel Oliveira, 24, travou o primeiro contato com o universo Kings of Convenience enquanto passeava pela internet atrás do tipo de som que mais gosta, o folk.
- Foi em um site de busca mesmo. Quando ouvi 'Quiet...' fiquei louca. Era exatamente o clima intimista que eu procurava. Tem uns amigos que vêm de outros estados para o show e a gente está combinando de ir junto para o MAM. Parece que o Kings vai tocar uma música brasileira, uma amiga de Portugal me contou que foi assim em Lisboa - diz a animada estudante.

Eirik avisa, no entanto, que não gosta muito desse negócio de fãs. Adora ficar perto das pessoas, mas tem pânico quando percebe que alguém 'confundiu as coisas'.

- O problema é que eu adoro conhecer gente nova, ficar perto delas, conversar. Mas aí percebo que algumas pessoas desenvolvem uma espécie de sentimento que não é muito saudável, alguns acham que estão 'apaixonados', isso é muito desagradável - afirma Eirik que se recusa a terminar a entrevista antes de perguntar ao repórter: - Como é esse Museu de Arte Moderna de vocês?